O desenvolvimento sustentável é um tema de extrema relevância para perenidade das empresas, contudo, não tem merecido a devida atenção por parte da grande maioria dos líderes empresariais. A mais recente desculpa para o descaso com o assunto é a crise econômica mundial, deflagrada durante o segundo semestre de 2008.
A crise existe (ou existiu) de fato, mas trouxe com ela uma grande oportunidade de repensarmos a forma com que fazemos negócios.
A visão de máximo lucro no mínimo prazo é, no limite, o modelo adotado pelos executivos das grandes empresas. Eles são estimulados pelos acionistas/investidores através da política de bônus e outras formas de remuneração variável, que contemplam apenas os resultados financeiros de curto prazo.
Esse modelo de recompensa foi muito criticado e, em algumas vezes, colocado em cheque pelos analistas econômicos durante a fase crítica da crise, porém, ao primeiro sinal de recuperação da economia, ele se revigorou e, acredito que ninguém está disposto a abrir mão dele, pois, os investidores querem o retorno do seu capital em um prazo cada vez mais curto e os executivos cuidam de garantir os seus bônus como forma de compensar a vulnerabilidade de seus empregos.
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Não sei se isso é, de todo, errado. O modelo conhecido até então era esse...
Contudo, descobrir a sustentabilidade como uma forma de diferenciar-se dos competidores comerciais, agregar valor a produtos e serviços, consolidar negócios, abrir novos mercados e, por tudo isso, ganhar muito dinheiro, pode ser uma ótima maneira de se iniciar uma nova forma de gerir negócios e de se relacionar com a sociedade.
Para os líderes empresariais mais céticos, que não admitem ter responsabilidade sobre o meio ambiente e a sociedade, desenvolvimento sustentável pode ser traduzido da seguinte forma:
Meio ambiente = Insumos; Sociedade = Mercado.
O conceito acima, bastante simplista, pode ser infinitamente ampliado para que todos cheguem à conclusão que, se não cuidarmos do nosso planeta e das pessoas que nele habitam, dois elementos essenciais para a existência das corporações, de nada adiantará o lucro de curto prazo, pois o alto preço cobrado pelo aquecimento global e pelas mazelas sociais a que estão expostos mais de dois terços da população do planeta, não poderá ser pago com o ROI dos acionistas/investidores e muito menos com o tão propalado bônus semestrais dos nossos céticos executivos. Pensemos nisso.
Luiz Eduardo Neves Loureiro
consultor associado |